sexta-feira, 9 de novembro de 2012

ARTIGO PUBLICADO NA REVISTA CATAVENTOS Disponível em http://revistaeletronica.unicruz.edu.br/index.php/Cataventos.


EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: OLHARES POSSÍVEIS
SCHNEIDER, Olga Maria Schneider[1]; MIREK, Zélia Maria[2].
RESUMO 

Este artigo representa a sistematização dos movimentos realizados ao longo da disciplina Estudos Colaborativos Orientados (ECO) com a finalidade de apresentar os elementos empíricos do subtema: Alfabetização de adultos como possibilidade concreta dos sujeitos agirem como protagonistas de suas histórias, aliado à abordagem sobre a participação dos sujeitos nos processos sociais de uso da leitura e da escrita em nossa sociedade. Assim, aproxima-se à visão sobre ambientes alfabetizadores e comportamentos sociais de leitura e escrita e possibilita ampliar o entendimento do tempo e espaço necessários para a alfabetização, tendo em vista o valor desta ação pedagógica em uma sociedade grafocêntrica. O objetivo da pesquisa é realizar um relato das atividades realizadas na disciplina a partir do 4º semestre até o momento atual, o decorrer do 5° semestre. Para o desenvolvimento das atividades são sujeitos da Escola Estadual de Ensino Fundamental X – Cerro Largo – RS, a turma de Educação de Jovens e Adultos - EJA e sua professora, focados sob um olhar de oportunidade e possibilidade da descoberta de talentos. Teve como embasamento a experiência acadêmica, pesquisas virtuais e presenciais sobre o assunto. Os resultados apresentados foram obtidos através da realização de atividades propostas pela Universidade Federal de Pelotas na graduação de LPD fundamentados em fatos vivenciados e amparados nas pesquisas realizadas. A metodologia empregada foi a de campo e bibliográfica. As conclusões apontam para o fato de que para ser professor é necessário ter talento. O olhar com talento do professor unido ao seu saber e aliado ao saber do aluno faz da aprendizagem um ato de grande beleza.

Palavras chave: Alfabetização. Jovens e Adultos. Letramento. 

RESUMEN 

Este artículo representa la sistematización de los movimientos realizados a lo largo de la disciplina Estudios Colaborativos Orientados (ECO) con la finalidad de presentar los elementos empíricos del subtema: Alfabetización de adultos como posibilidad concreta de los sujetos actúen como protagonistas de sus historias, aliado al enfoque sobre la participación de los sujetos en los procesos sociales de uso de la lectura y de la escritura en nuestra sociedad. Así, se aproxima a la visión sobre ambientes alfabetizadores y comportamientos sociales de lectura y escritura y posibilita ampliar la comprensión del tiempo y espacio necesarios para la alfabetización, con miras a el valor de esta acción pedagógica en una sociedad grafocéntrica. El objetivo de la pesquisa es realizar un relato de las actividades realizadas en la disciplina a partir del 4º semestre hasta el momento actual, el transcurrir del 5° semestre. Para el desarrollo de las actividades son sujetos de la escuela Estadual de Enseñanza Fundamental X –Cerro Largo – RS, la tanda de Educación de Jóvenes y Adultos- EJA y su profesora, enfocados bajo un mirar de oportunidad y posibilidad del descubrimiento de talentos. Tuvo como base la experiencia académica, pesquisas virtuales y presenciales sobre el asunto. Los resultados presentados fueron obtenidos a través de la realización de actividades propuestas por la Universidad Federal de Pelotas en el grado de LPD fundamentados en hechos vivenciados y amparados en las pesquisas realizadas. La metodología empleada fue la del campo y bibliográfica. Las conclusiones apuntan para el hecho de que para ser profesor es necesario tener talento. El mirar con talento del profesor unido a su saber y aliado al saber del alumno hace del aprendizaje un acto de gran belleza. 

Palabras- llave: Alfabetización. Jóvenes y Adultos. Letramento. 

1. Considerações iniciais 

O mundo contemporâneo apresenta mudanças que afetam todos os setores da sociedade. Apesar da crônica desigualdade social e da elevada concentração de renda revelada pelas estatísticas, o Brasil criou condições para crescer e repartir sua riqueza com mais justiça. O século passado deixou uma lição: a educação é o caminho mais eficiente para o país erradicar ou ao menos amenizar suas chagas sociais, ela está na pauta das discussões em todos os setores da sociedade.

O conhecimento faz parte da vida do ser humano. De posse do conhecimento é possível perceber o mundo ao nosso redor e, com isso, podemos encontrar, as mais diversas maneiras de sanar as dificuldades e os empecilhos que aparecem em nossos caminhos.

Com base no portal do MEC (Ministério da Educação) é possível dizer que houve época em que se acreditou que o conhecimento estava nas pessoas e que ensinar era o processo pelo qual se fazia aflorar este conhecimento interior, inato. Houve também um tempo em que se acreditou que o conhecimento estava fora das pessoas e que ensinar consistia em transferir o conhecimento externo para dentro das pessoas. A escola tradicional é a explicitação desta forma de pensar. Nem fora nem dentro: o conhecimento se constrói na relação dos seres humanos com o mundo, nasce na relação dos homens e mulheres com o mundo, incluindo nele todos os outros seres humanos.

A organização curricular voltada para a investigação/pesquisa desde o início do Curso de Licenciatura em Pedagogia a Distância – CLPD reforça a percepção do papel insubstituível dos sujeitos e a importância de seu entorno. Incorporada como conteúdo pedagógico através de diálogos, raciocínio e lógica, a existência real dos alunos e o que se passa em seu interior é assimilado e transformado em finalidade do processo ensino/aprendizagem, na busca incessante e continuada do aprender a aprender.

O objetivo deste trabalho é realizar um relato das atividades propostas na disciplina Estudos Colaborativos Orientados a partir do 4º semestre do CLPD até o momento atual, o decorrer do 5° semestre. Os parceiros eleitos para o desenvolvimento das atividades são a Escola Estadual de Ensino Fundamental X de Cerro Largo – RS, a turma de Educação de Jovens e Adultos inserida na escola através de convênio firmado com a Prefeitura Municipal e sua professora, focados sob um olhar de oportunidade e possibilidade da descoberta de talentos.

O modo de investigação que fundamenta o trabalho é caracterizado pela experiência vivenciada no curso de Licenciatura em Pedagogia a Distância e em pesquisas presenciais e virtuais sobre o assunto. A interação entre alunos/alunos, alunos/tutores e alunos/professores proporcionada por fóruns, chats ou mensagens instantâneas e a realização de Seminários de ECO - Estudos Colaborativos Orientados mostram-se particularmente importantes, proporcionando subsídios valiosos para a futura docência. Os parâmetros servirão de balizadores para a construção dos enfoques que serão tratados na conclusão, porém não são únicos e nem se encerram em si mesmos. 

2. Atividades Iniciais – Temáticas 

Instruída no início de março do ano de 2010 a optar por uma temática entre: Educação Inclusiva, Alfabetização, Letramento e EJA, Gestão da Escola, Educação Infantil e Educação, Conflitos e Contradições – Mediação de Conflitos na Escola optou-se por Alfabetização, Letramento e EJA. Nesta temática discutem-se as situações próprias e concretas colocadas aos docentes no momento em que se põem no desafio de acompanhar a alfabetização de cada sujeito que ingressa na escola. Trazendo a colaboração de diferentes áreas, a fim de compreender em que medida as ações concretas de alfabetização na escola precisam ser redefinidas e refletidas pelo conjunto de sujeitos envolvidos: pais, professores, alunos, funcionário e equipe diretiva, foi necessário ampliar o entendimento do tempo e do espaço possível para a alfabetização, tendo em vista o objetivo maior desta ação pedagógica em uma sociedade grafocêntrica. Neste mesmo sentido, ao colocar em confronto com o falar próprio dos sujeitos, refletiu-se quanto a um movimento de entender com maior consistência a tarefa da escola em relação às classes populares.

No dia 17 de abril de 2010, em um primeiro diálogo com a professora parceira, buscou-se referências para a futura postura docente. Como possibilidade de refletir sobre práticas concretas para além da teoria e as formas de fazer acontecer o processo de aquisição de conhecimento, chegando-se às seguintes pontuações: Alfabetizar é formar leitores e escritores com condições de plena participação social. Entende-se essa afirmativa da professora como confirmação da teoria, amparada em concepções freireanas, uma vez que: “A leitura do mundo precede a leitura da palavra” (FREIRE, 1983, p.11). Ou seja, alfabetizar é formar pessoas que consigam ler, escrever, interpretar, calcular aquilo que fazem e aquilo que lhes é proporcionado para debates e discussões, de acordo com as situações de vida apresentadas. Não podemos formar analfabetos funcionais: pessoas que mesmo tendo anos de estudo não conseguem compreender o que leem, ou não são capazes de elaborar um texto próprio.

Assim, é lícito concordar com: 

A alfabetização não se limita ao primeiro ano de escolarização. Este primeiro ano de contato com a leitura e a escrita envolve a dificuldade maior que é a pronúncia do som da letra, da sílaba, da palavra. O desconhecimento da letra acarreta o problema da escrita já que se não a conhece na leitura também não a conhece na escrita. Precisamos descobrir, junto com cada aluno, como pegar o começo da aprendizagem. O mesmo ocorre com a descoberta dos algarismos e o início dos exercícios de cálculo matemático (SCHNEIDER, 2010). 

Conforme a mesma autora: “Não há um padrão, cada aluno está em um nível, o trabalho é quase individual, dá-se a cada um aquilo que ele necessita para conseguir ler ou escrever”. Segue dizendo: “O maior e melhor material para produzir leitura e escrita é a vida dos alunos, o seu dia a dia, a sua realidade e devemos ter um cuidado muito especial com esse material” (SCHNEIDER, 2010).

Encerrando o diálogo, concorda-se que se deve fazer das aulas, da aprendizagem, um momento de encontro prazeroso para o professor e o aluno, buscando um caminho para construir o conhecimento fundamentado na realidade que cada um deles vive ao mesmo tempo em que aprende. 

2.1 Atividades Iniciais – Subtemática 

Em maio de 2010 optou-se por Alfabetização de Adultos como possibilidade concreta dos sujeitos agirem como protagonistas de suas histórias aliado ao subtema: Participação dos sujeitos nos processos sociais de uso da leitura e da escrita em nossa sociedade aproximando assim as discussões sobre ambientes alfabetizadores e comportamentos sociais de leitura e escrita.

O adulto não retorna à escola com a intenção de recuperar um tempo perdido ou para aprender algo que não aprendeu quando criança. O que ele busca é um aprendizado para as suas necessidades atuais. Inseridos em uma sociedade que está mudando as suas formas de se organizar, de produzir bens, de comercializá-los, de se divertir, de ensinar e de aprender, ser alfabetizado é uma condição que se mostra urgente. 

3. Educação de Jovens e Adultos – Letramento 

Com base nas demandas sociais de leitura e escrita recorre-se, neste item, à noção de letramento e tem-se como objetivo verificar as relações entre o processo de letramento e o de escolarização.

Na década de oitenta, surgiu o termo analfabetismo funcional para designar as pessoas que, sabendo escrever o próprio nome e identificar letras, não sabiam fazer uso da leitura e da escrita no seu cotidiano (SOARES, 2009). À medida era o tempo de permanência nas escolas: com menos de quatro anos considera-se que o indivíduo não tenha se apoderado da leitura e da escrita, sendo, portanto, analfabeto funcional. Observou-se, porém, que mesmo entre os que permaneciam por mais tempo nas escolas, alguns não eram capazes de interagir e se apropriar da leitura e escrita. Cria-se então, o termo letramento, para designar esta nova condição (SOARES, 2009).

Para Soares (2009): 

Enquanto a alfabetização se ocupa da aquisição da escrita por um indivíduo, ou grupo de indivíduos, o letramento focaliza os aspectos sócio históricos da aquisição de um sistema escrito por uma sociedade. Os estudos sobre o letramento, desse modo, não se restringem somente àquelas pessoas que adquiriram a escrita, isto é, aos alfabetizados. Buscam investigar também as consequências da ausência da escrita a nível individual, mas sempre remetendo ao social mais amplo, isto é, procurando, entre outras coisas, ver quais características da estrutura social têm relação com os fatos postos. 

De acordo com Santos (2009):
 
Quando se considera a importância do letramento, ficam de lado os exercícios mecânicos e repetitivos, baseados em palavras e frases descontextualizadas. O enfoque está no aluno que constrói seu conhecimento sobre a língua escrita e não no professor que ensina. 

Para Vygotsky (1984) citado por Soares (2009): 

[...] o letramento representa o coroamento de um processo histórico de transformação e diferenciação no uso de instrumentos mediadores. Representa também a causa da elaboração de formas mais sofisticadas do comportamento humano que são os chamados “processos mentais superiores”, tais como: raciocínio abstrato, memória ativa, resolução de problemas etc. 

Soares (2002, apud GARCIA, 2005, p.145) apresenta letramento como “o estado ou condição de indivíduos ou de grupos sociais de sociedades letradas que exercem efetivamente as práticas sociais de leitura e de escrita participam competentemente de eventos de letramento”.

Assim, de acordo com Soares (2002, p.145) nas palavras de Garcia (2005) apresenta duas dimensões de letramento: 

[...] a individual e a social. A dimensão individual de letramento, que envolve especificamente a competência de ler e escrever e compreender o que está lendo e escrevendo, requer um conjunto de habilidades, quais sejam: motoras, cognitivas e metacognitivas. 

A mesma autora segue dizendo, ainda que ler e escrever são processos diversos, embora complementares, requerem habilidades diferenciadas (GARCIA, 2005).

A dimensão social do letramento figura como uma prática social, quer dizer, de que forma, em certo contexto, os sujeitos demonstram familiaridade com algumas práticas de leitura e de escritura (SOARES, 2002).

Em sociedades letradas, a escrita na vida como um todo se faz de um modo forte, não só nas atividades de ler e escrever, mas nas atividades orais, já que a fala das pessoas letradas é muito marcada pela linguagem que se escreve. Este quadro se modifica dependendo do acesso que se tem a círculos letrados, diferenciando-se, portanto, entre as classes sociais.

Para Mey (2001, apud GARCIA, 2005, p. 241):  

O letramento é também produto de uma participação ativa em determinada atividade social e produz certa disposição; o modo como alguém participa de certa atividade, e, consequentemente, a voz que alguém está apto a assumir [...]. 

O autor usa o termo “voz” como uma metáfora, isso é para qualquer atividade que tenha relação com o uso da linguagem. Essas vozes estão relacionadas às variedades linguísticas, mais precisamente à variedade padrão, a norma culta. Assim sendo, isso quer expressar, a participação ativa em uma atividade social letrada torna o sujeito apto a assumir a voz letrada. Então, a voz letrada passa a ser a voz legitimada socialmente (MEY, 2001, apud GARCIA, 2005). 

3.1 Alfabetização de Adultos como possibilidade concreta dos sujeitos agirem como protagonistas de suas histórias 

Paulo Freire (2005, p.97) afirma que “aprender a ler, a escrever, alfabetizar-se é, antes de mais nada, aprender a ler o mundo, compreender o seu contexto, não numa manipulação mecânica de palavras, mas numa relação dinâmica que vincula linguagem e realidade”.

O diálogo com a professora X, em 20 de maio de 2010, mostra as seguintes anotações:

ü   Procuro planejar as aulas considerando a necessidade dos alunos, usando diferentes dinâmicas, uma para cada dificuldade apresentada;

ü   Diariamente preciso planejar como ensinar cada letra, o som dela e das sílabas. É esta a fase em que estamos agora. Só conseguirão escrever as palavras quando compreenderem cada uma destas etapas. A mesma coisa com os números e sua escrita. É importante trazer os materiais certos e tentar que consigam sempre aprender algo;

ü   Não sigo uma rotina. A aula depende do interesse deles. Não gostam de sair da sala e apenas quando a Escola planeja algum programa, saem da sua rotina. Possuem consciência de sua situação - são adultos analfabetos - e estão em sala de aula para aprender. É o seu único objetivo. 

Sobre essas considerações da professora, encontra-se a articulação de diversos autores que confirmam o acerto desta ação pedagógica.

Para Pereira (2010), tutora à distância, o aluno do EJA: 

[...] apresenta um grande potencial, pois nos traz sua experiência de vida, seus conhecimentos. E a partir destes conhecimentos podemos desenvolver um trabalho significativo de valorização e autoestima, pois como bem sabemos, eles não são uma "folha em branco" em que iremos iniciar um trabalho isolado de tudo o que eles já conhecem e vivenciaram (TDLP PEREIRA, 7 abril 2010, Feedback). 

Sobre “Possuem consciência de sua situação – são adultos analfabetos – e estão em sala de aula para aprender. É o seu único objetivo”.

Alfabetizado é aquele indivíduo que sabe ler e escrever; já o indivíduo letrado, o indivíduo que vive em estado de letramento, é não só aquele que sabe ler e escrever, mas aquele que usa socialmente a leitura e a escrita, pratica a leitura e a escrita, responde adequadamente às demandas sociais de leitura e de escrita (SOARES, 1998, p.22). 

Entre as tarefas propostas há a oportunidade de relatar o objetivo de alguns integrantes da turma parceira: o aluno que, para "subir" no emprego quer a carteira de motorista ou a aluna, empregada doméstica, que para “agradar a patroa”, quer ler receitas culinárias. Assim a escrita apresenta valor social, porque pode ser compartilhada. (DURAN, 1991). A professora-parceira também afirma: “É importante trazer os materiais certos e tentar que consigam sempre aprender algo”.

Sabemos que uma pequena variação no material, na tarefa realizada pela criança, na estratégia pedagógica ou no conteúdo, produz respostas diferentes ou respostas resistentes à mudança. A modificação ou a resistência são sempre indicadoras de que alguma coisa funciona de determinada maneira: na cabeça do professor, na cabeça da criança ou na própria situação. Porém, já sabemos que o fazer pedagógico consiste na mudança permanente de estratégias para conseguir os objetivos da Aprendizagem (TEBEROSKY, apud DURAN, 1991, p.111). 

Em “Procuro planejar as aulas considerando a necessidade dos alunos, usando diferentes dinâmicas, uma para cada dificuldade apresentada”, tem-se a articulação de Madalena Freire (2008, p.171): “o conteúdo emerge, explode da vida e, é na vida do grupo (dos sujeitos cognoscentes), que se constrói a dinâmica. Dinâmica aqui, entendida como fruto rítmico do jeito que o grupo vive o estudo dos conteúdos”.

Ao considerar o fragmento do discurso: “Não sigo uma rotina. A aula depende do interesse deles”, percebe-se que a rotina faz parte do fazer pedagógico, ainda que professora parceira não a veja como tal, apoiada novamente em Madalena Freire e na constatação de que não há problemas de disciplina na turma: “Educar a liberdade é educar os próprios limites (e potencialidades) em sintonia com os da realidade, onde a construção da rotina e da disciplina são ferramentas básicas” (FREIRE, 2008, p.35).

A citação acima é corroborada nas palavras de Ramos (2010) quando diz: 

A ação/reflexão que produz conhecimentos é capaz de mudar o mundo e a nós mesmos. Todos nós vivenciamos esta experiência segundo nossos valores, aspirações e de acordo com nossas experiências anteriores. Esta vivência pessoal pode ser comunicada, mas não pode ser transferida aos outros. Vivência não se transfere.

Igualmente, o conhecimento que é parte integrante desta vivência não pode ser transferido. Pode ser comunicado, mas comunicar conhecimento não é transferi-lo. Comunicar o que se sabe sobre como se lê ou escreve não tornará ninguém alfabetizado. É preciso que este alguém passe pela experiência do agir/pensar que constrói o conhecimento.

Percebe-se assim, que o processo de conhecer se faz na relação com os outros. O conhecimento dos outros repercute nos meus e os meus repercutem no dos outros, mesmo quando não nos damos conta disto. É verdade que a intensidade e profundidade destas percepções são variáveis e dependem de uma série de fatores que incluem oportunidade, necessidade, curiosidade, interesse e da infinidade de fatores que constituem a complexa natureza humana. 

3.2 As necessidades dos alunos de EJA 

Nas classes de EJA, de acordo com o MEC (2011), encontram-se questões em que nunca pensamos muitas vezes bem diferentes das que tradicionalmente têm lugar nas salas de aula: saber fazer orçamento por escrito (o que escrever, a forma de escrever, como calcular preços); fazer recibos; conhecer o desenvolvimento das crianças (filhos e/ou netos); alimentação e saúde; aspectos ligados à hereditariedade; como divulgar o que se faz para vender: tricô, doces, sabonetes, pães; fazer orçamento doméstico para controlar os gastos; saber preencher fichas (em firmas, oficinas, bancos, INSS); criar senhas; usar caixas eletrônicos. Não é difícil perceber que a partir destas questões chegamos de forma natural a muitos dos conteúdos considerados escolares e que, de fato, constituem-se como elementos importantes para solucionar as questões da vida diária.

Habituados a seguir ordens, os alunos de EJA são frágeis do ponto de vista da prática do pensar e do tomar decisões. Isso aumenta a responsabilidade da escola como espaço capaz de incentivar essa capacidade tão fundamental ao ser humano. Significa que a sala de aula de EJA tem a responsabilidade de ser marcada por atividades que envolvem o pensamento, em detrimento das que apontam à mera memorização do que se pretende ensinar. Comentar o que está sendo aprendido, tomar posição diante de um fato ocorrido e contribuir na sua própria avaliação são situações que certamente contribuirão para o crescimento desses alunos.

Quando o professor pensar que a maior parte dos conteúdos que tem para dar conta na sua sala de aula não tem o menor interesse para seus alunos, deve desistir de ensinar estes conteúdos porque no máximo, conseguirá que eles memorizem alguns discursos sobre eles, que serão facilmente esquecidos. Esta memorização não tem nenhum parentesco com o conhecimento (op.cit).

Aprendendo melhor o que já sabem e o que ainda não sabem sobre os assuntos sobre os quais estão interessados, os alunos ampliarão os próprios horizontes e interesses. Esta ampliação poderá atingir alguns conteúdos considerados obrigatórios ensinar e aí, então, o professor terá sucesso em ensiná-los. De qualquer forma, ficará um ganho muito maior do que o de uma memorização inútil: o exercício de reflexão que fizerem para conhecer ajudará as futuras reflexões a serem menos trabalhosas. 

4. Resultados 

A utilização adequada das teorias disponíveis, aliadas a um movimento de construção e pesquisa, ao diálogo e às parcerias servem de referências para auxiliar na busca de encaminhamentos concretos para a superação de situações enfrentadas no cotidiano escolar. Dessa forma, oferecem-se à educação importantes instrumentos, capazes de contribuir para a melhoria da acessibilidade ao processo de construção do conhecimento, resultando impactos que estimulam a criação de novas maneiras de aprender e propiciam o surgimento de novos ambientes educacionais e também colaboram com o desenvolvimento de reflexões mentais, que favorecem a imaginação, a intuição, a capacidade de decisão e a criatividade, fundamentais para a sobrevivência individual e coletiva.

5. Considerações Finais 

Neste trabalho foram abordadas questões relacionadas à Educação de Jovens e Adultos e sua viabilidade como ferramenta de inserção dos sujeitos numa sociedade grafocêntrica. Dentro das diferentes abordagens apresentadas, pode-se vislumbrar a ampliação do entendimento sobre a tarefa de alfabetizar de forma muito mais abrangente do que a distinção entre métodos de ensino, sem negar o espaço próprio destes nas discussões sobre o tema.

A escola é um espaço privilegiado para a busca do conhecimento. As pessoas chegam lá para aprender e quando isto não acontece, a ida à escola perde o sentido. Aprender dá trabalho, às vezes muito trabalho. Os professores devem ter isto sempre presente. Devem estar preocupados em não convidar seus alunos a realizar um trabalho inútil. Trata-se de uma questão ética. Trabalho inútil ocorre quando é realizado para obter um conhecimento que não lhes dá nenhum retorno efetivo. É inútil também quando dele não resulta nenhum conhecimento.

A escola, na visão tradicional, perde uma excelente oportunidade de ser um espaço onde todos, democraticamente, exercitem o seu direito de atuar como sujeitos. Sujeitos, diante dos conhecimentos, das outras pessoas e da natureza.

Para os alunos de EJA pesa ainda a desvalorização dos conhecimentos que construíram ao longo da vida. Considerados equivocados e pouco significativos, os conhecimentos que estes alunos trazem, deixam de ser considerados como base para os novos conhecimentos que buscam aprender: o saber medir da costureira desaparece, a forma de calcular dos pedreiros é considerada imprecisa, o jeito de falar do povo é visto como cheio de erros gramaticais. Esta situação torna bem mais difícil chegar àquilo que o professor tenta ensinar. Pior do que isto, estes alunos colocam-se em posição de inferioridade diante daqueles que são capazes de aprender melhor do que eles. Consideram-nos mais inteligentes e não percebe que eles tiveram maiores oportunidades, inclusive a de uma concepção de conhecimento que lhes favoreceu.

A leitura do mundo é contínua ao longo da vida de cada sujeito, é ampla, única e se modifica constantemente, constituindo a sua história. História que não pode ser menosprezada devendo ser valorizada e respeitada, e é transformada à medida que ele se movimenta entre diferentes espaços. O professor é privilegiado ao ter a oportunidade de acompanhar a leitura do mundo de cada um dos sujeitos da realidade humana da escola, seja ele aluno, pai, mãe, colega, professor, vizinho, amigo, servidor. É a diversidade que faz a grande diferença. Analisado cada momento da ação destes protagonistas como oportunidade e possibilidade para aprender, ela pode ser transformada na descoberta de talentos.

Esses talentos aparecem quando instigados, motivados, provocados e incentivados. Há necessidade de espaço para que eles surjam. Porém, é preciso esclarecer que não é o olhar de quem se encontra ali com a intenção de informar e passar conhecimentos que vai fazer com que isto ocorra. São olhos de talento que podem reconhecer a outro talento. Este olhar é de quem vê, concebe e crê que este ato de aprendizagem acontece por meio de oportunidades, que aumenta a curiosidade, onde surge a conversa, a indagação, o compartilhamento, onde sujeitos interagem, descobrindo, refazendo, criando e recriando (SOUZA, 2011).

Para ser professor é preciso ter talento. O professor com o olhar com talento, somado o seu saber e do aluno transforma a aprendizagem um ato de beleza (SOUZA, 2011).

Assim, a intenção de enfocar um olhar com talento para a leitura da história dos sujeitos envolvidos, um olhar enfocado na realidade trazida pelas pessoas, que em última análise possa servir como indicativo de solução de problemas que venham a ser detectados no processo de construção da aprendizagem ou, em última instância, no processo de Aprender a Aprender. 

REFERENCIAS 

BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é método Paulo Freire. São Paulo,
Brasiliense, 1981.

CASTRO, Rafael F. Aprendizagem, conhecimento e desenvolvimento em Vygotsky. Disponibilizado no AVA ECO III Fórum Alfabetização, Letramento e EJA por Darlene Rosa da Silva TDLP. Disponível em: http://www.Aprendizagem_conhecimento_e_desenvolvimento_em_Vygotsky_2_.pdf Acesso em março/ 2010.

DURAN, Marília C. G. O desafio metodológico na relação ensino-aprendizagem. In: A didática e a escola de 1º grau. São Paulo: FDE, 1991, p.150-158. (Série Idéias, 11). Disponibilizado no AVA ECO III Fórum Debate entre Pólos por ACLP Carla Denise de B. Nunes. Disponível em:
http://alfabetizacao_p105-113.pdf.  Acesso em março 2010.

FREIRE, Madalena. Disponibilizado no AVA CECE ADE. Texto: Excertos Madalena Freire. Disponível em:

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 46 ed. Paz e Terra: Rio de Janeiro, 2005, p. 96-99. Texto disponibilizado no AVA COEGD EI. O diálogo começa na busca do conteúdo programático. Acesso em janeiro/2010.

GARCIA, Inez H. M. Alfabetização e Letramento na Educação de Jovens e
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MEC - MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA. Disponível em http://portal.mec.gov.br/secad/arquivos/pdf/ejacaderno5.pdf. Acesso em março/2010.

_______ MEC. Trabalhando com educação de jovens e adultos: O processo de Aprendizagem de professores e alunos. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/secad/arquivos/pdf/eja_caderno5.pdf. Acesso em junho de
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MUNDO EDUCAÇÃO. Disponível em:

PEREIRA, Ana L. Feedback Tutora a Distância em Abril/2010. Disponível em
www.ufpel.edu.br/lpd Atividades de ECO, acadêmica 08201113. Acesso em junho de 2011.

RAMOS, Teresa Cristina. O processo de aprendizagem dos alunos e
professores. Disponível em:

SANTOS, Sônia. Alfabetização e letramento. Disponível:

SCHNEIDER, Joseane. Diálogos Professora Parceira em Abril e Maio/2010.
Disponível em www.ufpel.edu.br/lpd Atividades de ECO, acadêmica 08201113.
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SOARES, Glória R.C. Alfabetização e Letramento. Disponível em:
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SOARES, Magda B. Letramento, um tema em três gêneros, Belo Horizonte, Ed.
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SOUZA, Iná. Os talentos na sala de aula. Disponível em:
2011.

VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1984 [org. M. Cole e outros – textos originais de diferentes datas]. Disponível em



[1] Acadêmica de Licenciatura em Pedagogia a Distância LPD  e de Letras Espanhol FPELE - UFPEL Pólo Cerro Largo RS.BRASIL.
[2] Professora de Contabilidade. Coordenadora do Curso de Ciências Contábeis – IESA – Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo.

terça-feira, 28 de junho de 2011

EAD Via Internet: Uma Opção para a Acessibilidade ao Ensino Superior

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA VIA INTERNET: UMA OPÇÃO PARA A ACESSIBILIDADE AO ENSINO SUPERIOR


Zélia Maria Mirek Acadêmica de Licenciatura em Pedagogia a Distância LPD - UFPEL Pólo Cerro Largo RS. zéliamirek@via-rs.net
Olga Maria Schneider Medeiros Acadêmica de Licenciatura em Pedagogia a Distância LPD e Formação de Professores de Espanhol como Língua Estrangeira FPELE - UFPEL Pólo Cerro Largo RS. olgamsmedeiros@gmail.com
Aírton Pedroso de Morais Mestre em Engenharia da Produção – UFSM RS. airton@iesanet.com.br


Resumo: A Educação a Distância tem sido considerada, atualmente, como uma das mais importantes alternativas ao ensino presencial, começando a despontar no mundo como uma nova modalidade de ensino, devido às suas vantagens, área de atuação e à sua flexibilização, suprimindo lacunas existentes na educação tradicional, principalmente para pessoas que trabalham e estudam concomitantemente. A preocupação da sociedade com a qualidade do ensino, o crescimento da demanda por formação continuada e a constante evolução das tecnologias da informação e da comunicação, colocam a Educação a Distância no centro das atenções. Nesse sentido, o presente trabalho tem como objetivo estudar as alterações causadas no processo de ensino-aprendizagem, via Internet. Apresenta-se a fundamentação teórica com o embasamento na experiência acadêmica, a Educação a Distância e suas características essenciais. O texto trata de uma pesquisa qualitativa e apresenta resultados parciais, obtidos através da análise dos métodos oferecidos pela Universidade Federal de Pelotas na graduação de LPD fundamentados em fatos vivenciados e amparados nas pesquisas realizadas. As conclusões apontam para a viabilidade das iniciativas de implementação da Educação a Distância com um alto grau de importância considerando-se que essas iniciativas tornarão o acesso à educação superior disponível a um grande universo de interessados, atendendo a crescente necessidade de formação e qualificação de recursos humanos na sociedade atual.


Palavras Chave: Educação a distância; Internet; Qualidade de ensino.


Eixo IV: Perspectivas em EAD.

1. Introdução

          O mundo contemporâneo apresenta mudanças que afetam todos os setores da sociedade. Apesar da crônica desigualdade social e da elevada concentração de renda revelada pelas estatísticas, o Brasil criou condições para crescer e repartir sua riqueza com mais justiça. O século passado deixou uma lição: a educação é o caminho mais eficiente para o país erradicar ou ao menos amenizar suas chagas sociais. A educação está na pauta das discussões em todos os setores da sociedade.

          A auto-aprendizagem é hoje uma necessidade que diversos meios de comunicação possibilitam às pessoas de todas as camadas sociais, seja onde estiverem. Requer autodisciplina e independência no ato de aprender uma vez que o indivíduo é o centro do processo de aprendizagem e, como tal, o seu objetivo determinará a aprendizagem, pois desenvolverá seus estudos conforme o ritmo próprio e o espaço no qual estiver inserido.

          A Educação a Distância mediada pelo computador surge como forma de democratizar o acesso ao conhecimento. É através dela que poderemos ampliar a acessibilidade aos cursos superiores oferecidos no Brasil.

         
         O objetivo deste trabalho é realizar um estudo das alterações causadas no processo ensino-aprendizagem tradicional através da viabilidade de implementação de cursos a distância como ferramenta, via Internet, para o acesso ao Ensino Superior.

          O modo de investigação que fundamenta este trabalho é caracterizado pela experiência vivenciada no curso de Licenciatura em Pedagogia na modalidade EAD, além de pesquisas sobre a temática. Tais parâmetros servirão de balizadores para a construção dos enfoques que serão tratados na conclusão, porém não são únicos e nem se encerram em si mesmos.

2. Educação a Distância


          Inserida em uma sociedade que está mudando as suas formas de se organizar, de produzir bens, de comercializá-los, de se divertir, de ensinar e de aprender, a área de educação está muito pressionada por mudanças, assim como acontece com as demais organizações e é caminho fundamental para a transformação da sociedade.


          A Internet tem proporcionado novas oportunidades, bem como alterações em atividade cotidianas, as quais muitos não estão preparados para vivenciar. Simultaneamente ao excesso de inovações tecnológicas, surge uma nova geração que lida com a tecnologia desde seus primeiros anos de vida, consequentemente lidando com novos processos de informação, o que afeta suas estruturas mentais.

          Tajra (2002) e Rodrigues (2002) afirmam, respectivamente:

          “Vive-se um período revolucionário que vai além dos computadores e das inovações na área das telecomunicações. As mudanças estão ocorrendo nas áreas econômicas, sociais, culturais, políticas, religiosas, institucionais e, até mesmo, filosóficas. Uma nova civilização está nascendo, o que envolve uma nova maneira de viver. As tecnologias estão sendo associadas aos computadores, à Internet, às evoluções da microeletrônica e das telecomunicações, mas as novas tecnologias vão além destas. Elas passam pelas formas de se organizar, de pensar, de produzir e de fazer a Ciência”. (Tajra, 2002, p. 30).


          “O modelo tradicional regular de ensino depende da sala de aula, que obriga alunos e professores a se deslocarem para um mesmo espaço físico onde são mantidas as relações de troca e aprendizado. A graduação e a pós-graduação, nesse caso, ficam condicionadas a alternativas do sistema regular”. (Rodrigues, 2002, p. 12).


          É nesse contexto que uma parcela de estudantes brasileiros recorre a cursos de Educação a Distância.


          As primeiras abordagens conceituais, que qualificavam a EAD pelo que ela não era, tomavam um referencial externo ao próprio objeto como paradigma, pois estabeleciam comparação imediata com a educação presencial, também denominada educação tradicional, convencional, direta ou face-a-face, onde o professor, presente em sala de aula, é a figura central. Somente a partir das pesquisas dos anos 70 e 80, a EAD foi vista pelo que é, ou seja, a partir das características que a determinam ou por seus elementos constitutivos.


          Estudos mais recentes apontam para uma conceituação mais precisa do que é Educação a Distância: Processo de ensino-aprendizagem, mediado por tecnologias, no qual os professores e alunos estão separados espacial e/ou temporalmente.


          Keegan et al. (1991) sumarizam as características básicas que consideram centrais aos conceitos de EAD:

                   • Separação física entre professor e aluno, que a distingue do ensino presencial;


                 • Influência da organização educacional (planejamento, sistematização, plano, projeto, organização dirigida), que a diferencia da educação individual;


                  • Utilização de meios técnicos de comunicação, usualmente impressos, para unir o professor ao aluno e transmitir os conteúdos educativos;


                 • Previsão de uma comunicação de mão dupla, onde o estudante se beneficia de um diálogo, e da possibilidade de iniciativas de dupla via;


               • Possibilidades de encontros ocasionais com propósitos didáticos e de socialização;


                 • Participação de uma forma industrializada de educação, a qual, se aceita, contém o gérmem de uma radical distinção dos outros modos de desenvolvimento da função educacional.


          Geralmente, a opção pela EAD é feita por aquelas pessoas que têm alguma dificuldade de engajar-se em um programa presencial no qual há a necessidade de participar de aulas em horários e locais fixos.


        “A comunicação é realizada através de simuladores on-line, em redes de computadores, avançando em direção da comunicação instantânea de dados e voz, imagens, via satélite ou cabos de fibra ótica, com aplicação de formas de grande interação entre o aluno e o centro produtor, quer utilizando-se de inteligência artificial, ou mesmo de comunicação instantânea com professores, tutores e monitores”. (OLIVEIRA, 2005).


2.1 Educação a Distância no Brasil

          O uso da Internet na educação superior é recente no Brasil, ao contrário do exterior, onde a oferta de cursos on-line é anterior à década de noventa. No País, a recente disponibilização da Internet para fins educacionais abre a perspectiva da experimentação de novas teorias educacionais e suas respectivas matrizes filosóficas. Existem várias iniciativas de ensino a distância, algumas utilizando vídeoconferência e outras com projetos, via Web. Muitas instituições estão fazendo parcerias com universidades do exterior para trazer tecnologia. É importante observar que a Educação a Distância não pode ser vista como substitutivo da educação convencional, presencial. São duas modalidades do mesmo processo.


          Nunes (1994) enumera rapidamente, alguns campos nos quais o ensino a distância poderá ser utilizado dentro de um programa amplo de prestação de um serviço que a nacionalidade está a exigir:

                 • Democratização do saber;


                 • Formação e capacitação profissional;


                 • Capacitação e atualização de professores;


                 • Educação aberta e continuada;


                 • Educação para cidadania.

         A EAD não é um privilégio dos paises ricos ou de organizações poderosas. É, na verdade, um dos melhores instrumentos para a inclusão social e para a melhoria quantitativa e qualitativa da educação.


2.2 Um novo modelo educacional


          A reengenharia do processo de ensino-aprendizagem se apresenta com roupagem digital, o aprendizado ficou mais independente da sala de aula e do material didático em papel, porém, “o nível de exigência de prazos é idêntico aos dos cursos presenciais. A diferença é que não há horário fixo para estudar”. (Vieira, 2002, p. 104).


          Os desafios para a formação educacional são os atributos que definem essa nova sociedade: a virtualidade e a globalidade. A virtualidade para superar as limitações espaciais ou temporais mediante o trabalho em rede. A globalidade como condição para superar as fronteiras institucionais, linguísticas, culturais e nacionais.


          “No mundo de hoje, já não temos porque vincular a aprendizagem a uma determinada etapa de nossas vidas e a localização física concreta. Devemos assumir a aprendizagem e a formação como um estilo de vida, de forma permanente". (Taquari, 2003, p. 28).


          Não se pode esquecer que por muito tempo o ensino presencial, graduação, pós-graduação e outros, atuaram no modelo tradicional de educação em sala de aula com professor. Quebrar esse paradigma referendado pela Educação a Distância requer atrativos em ambientes digitais que no mínimo possam despertar o interesse do aluno para essa avançada solução pedagógica em educação.


          Para Moran et al. (2004) “ao elaborar o projeto que deverá ser discutido e vivenciado com os estudantes, o professor deve apropriar-se de referenciais utilizados na sala de aula e fora dela”. Cabe ao professor propor aprendizagens colaborativas que avancem no sentido de contemplar recursos inovadores.


2.3 EAD em cursos regulares

          O estudante deve ser preparado logo no início do curso para utilizar ferramentas on-line. Desta forma, a universidade reduz o nível de rejeição ao método de Educação a Distância.


          Na outra extremidade, os professores devem se acostumar aos recursos de que dispõem para ensinar. Por esse motivo, as instituições investem não apenas em tecnologia, mas em quem sabe usá-la. Daí a necessidade de qualificação de profissionais como uma das principais políticas e estratégias adotadas: capacitação de professores e estudos das verdadeiras necessidades da EAD.


          A coordenadora da área Acadêmico-pedagógica da PUC Minas, afirma que:


         “Os profissionais advindos do ensino a distância são muito mais disputados no mercado. Existe até a preferência por pessoas que optam pelo curso a distância. O motivo é simples: são alunos com maior autonomia, disciplina e capacidade de interação. Essas competências são apreciadas pelo mercado”. (Arnold, 2002, p. 3).


3. Resultados parciais

          A utilização adequada das tecnologias disponíveis, aliadas aos meios de comunicação, oferece à educação importantes instrumentos, capazes de contribuir para a melhoria da acessibilidade ao processo de ensino-aprendizagem, resultando impactos que estimulam a criação de novas maneiras de aprender e propiciam o surgimento de novos ambientes educacionais e também colaboram com o desenvolvimento de reflexões mentais, que favorecem a imaginação, a intuição, a capacidade de decisão e a criatividade, fundamentais para a sobrevivência individual e coletiva.


          Os obstáculos impostos a um treinamento realizado através Internet no que concerne à comunicação e as suas dificuldades intrínsecas estão relacionadas a uma certa confusão entre informação e conhecimento. Temos muitos dados, muitas informações disponíveis, propiciando uma certa dispersão. O aluno deverá possuir disciplina, perfil autodidata e organização para saber diferenciar o que é interessante e não perder tempo com informações pouco significativas. Quanto às comunicações, estas, apesar de algumas melhorias, ainda encontram dificuldades, principalmente de velocidades de transmissão do canal de entrega e são o grande desafio para o sucesso de iniciativas em EAD.


4. Considerações finais

          Neste trabalho foram abordadas questões relacionadas a Educação a Distância e sua viabilidade como ferramenta de aplicação para a acessibilidade ao Ensino Superior, utilizando-se da Internet como meio de disseminação. A EAD é uma alternativa tecnológica que se apresenta em nível mundial e, especificamente, na sociedade brasileira, como um caminho privilegiado de democratização do saber. Representa bem o mundo de hoje, no que se refere a sua dinâmica espacial. Vivemos na época das infovias, das infografias e do transporte virtual de sons e imagens através da Internet, que vem se confirmando como importante instrumento de destaque nos cursos de Educação a Distância. Com uma responsável e adequada utilização desse recurso tecnológico e sem ignorar as dificuldades existentes no País, conclui-se que a Educação a Distância deve ser cada dia mais utilizada na educação brasileira, proporcionando um aprendizado tecnologicamente rico, permitindo aos alunos acesso a uma grande variedade de mídias, bem como a um grande número de fontes de educação, possibilitando a supressão das distâncias geográficas, econômicas, sociais e culturais, permitindo-lhes organizar o seu tempo de estudo e universalizando as oportunidades de aprendizado.


          Não reconhecer a EAD como uma forma de ensino alternativo que traz grandes benefícios ao processo de ensino-aprendizagem é, no mínimo, uma posição conservadora, que trará prejuízos para toda sociedade. É possível ensinar e aprender com programas que incluam o melhor da educação presencial com as novas formas de comunicação virtual.


Referências


ARNOLD, S. B. T. Certificados são reconhecidos. Clipping Educacional, Belo Horizonte, p.3, set. 2002.

CASTRO, A. L. B. Educação a distância: princípios e fundamentos. Apresentado em Congresso. Belém, 1997.


KEEGAN, S. D. et al. Distance Education International Perspectives. London: Routllege, 1991.


MORAN, J. M.; MASSETO, M. T.; BEHRENS, M. A. Novas tecnologias e mediação pedagógica. 8.ed. Campinas, São Paulo: Papirus, 2004.


NUNES, I. B. Noções de educação a distância. Revista Educação a Distância. Brasília, n.4/5, p.7-25, dez.93-abr.94. Disponível em: . Acesso em: 16 nov. 2004.


OLIVEIRA, A. C. Educação a distância: uma opção do nosso tempo. Gestão Universitária. São Paulo, 25 abr. 2005. Disponível em: . Acesso em: 16 jun. 2005.


RODRIGUES, L. Novo endereço do campus: o computador. Ensino Superior, Seção Educação a Distância, São Paulo, ano 5, n. 48, p. 12-14, set. 2002.


TAJRA, S. F. Comunidades virtuais: um fenômeno da sociedade do conhecimento. São Paulo: Érica, 2002.


TAQUARI, C. Universidade on-line derruba fronteiras. Ensino Superior, Seção Entrevista, São Paulo, ano 6, n. 62, p. 22-28, nov. 2003.


VIEIRA, E. Quer um diploma? Use o mouse! Info Exame, Carreira ensino a distância, São Paulo, n. 199, p. 104-105, out. 2002.